UOL ESPORTE-PAPO DE VÁRZEA " JD VERÔNIA x URUGUAI "

Ontem várzea, hoje é Copa

Papo de Várzea
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A cidade de São Paulo mudou muito em poucas décadas e o futebol de várzea teve de se adaptar aos novos cenários. No início do século passado, era possível identificar cerca de 1 mil campos só na região central da cidade, incluindo bairros como Brás, Casa Verde e Bela Vista. Para muitos, o futebol de várzea foi desaparecendo ao longo dos anos, mas o jornalista Flavio Adauto, criador do formato Copa Kaiser, definiu bem ao dizer que o “futebol de várzea não acabou, apenas mudou de endereço''.
E é verdade! Um do cenários mais paulistanos já deu lugar a campos laranjas de terra: o metrô. Algumas estações eram palcos para grandes jogos de várzea. Durante uma visita ao Artur Alvim, time da Zona Leste da cidade, ouvi que um dos primeiros campos da equipe era justamente onde hoje é a estação de mesmo nome, Artur Alvim. Ali é um dos pontos de encontro para torcedores que vão até a Arena Corinthians, principalmente durante a Copa do Mundo.
Ao longo da Radial Leste, há registros de que muitas das estações de metrô eram campos de várzea, um ao lado do outro. Outra estação que há anos fazia a alegria dos boleiros é a atual Tucuruvi, na Linha Azul. Ali era quase uma arena, com morros ao redor e o campo lá embaixo.
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 FOTO LEGENDA: Verônia x Uruguai 
O Verônia é um famoso time da Zona Leste, fundado em 1962, ano em que o Brasil se igualava em títulos mundiais com um eterno rival, o Uruguai. Mais de 50 anos depois, fiz esse registro (ao lado) durante partida entre Uruguai e Inglaterra, na Arena Corinthians. Encontrei esse rapaz vestindo o agasalho do Verônia. A imprensa nacional ou gringa nem reparou na presença dele, mas quem é varzeano conhece. Vi essa imagem e fiquei imaginando uma partida entre um time de várzea de tradição contra uma seleção nacional. Já pensou?
Por Diego Viñas, colunista do Varzeapedia

ASSISTA : DIA 07/06/2014 AS 12hs NO SPTV


" JARDIM VERÔNIA E. C. no SPTV.  em Breve .


Escolinha de Futebol                                                                       Nossa Sede Social



 Grafiteiros

 Treino da Criançada                                                              Escolinha de musica


 Professor Madureira (Projeto Musicando )                    Adriana Muniz e Buzo

Ermelino é Luz " conta Zorinho o Presidente do JD VERÔNIA "

COPA 1º DE MAIO VALENDO VAGA NA SEMIFINAL


No domingo 6 de abril, no ginásio Ramos foram realizados os quatro primeiros jogos válidos pela segunda fase da Copa 1º de Maio 2014. Os destaques foram as goleadas do 100 Nome de Poá e do Jardim Verônia que derrotaram Vem Que Vem por 11 a 2 e Astro por 7 a 1 respectivamente. 

Nos demais confrontos, o Família Burgo venceu o Ousados/Ponto de Encontro pelo placar de 4 a 3 e o Charlie Brow/Paysandu ganhou do Makaku's por 6 a 3. 

Nesta fase oito equipes estão divididas em dois grupos com jogos de eliminatória dupla e os dois melhores de cada grupo avançam às semifinais. 

No próximo domingo terá um grande clássico do extra-oficial entre Família Burgo e Jd. Verônia valendo vaga na semifinal, a partida fechará a rodada e está prevista para acontecer às 16h00. 

Alguns apontam o Jardim Verônia como franco favorito pelo elenco que montou, mas o favoritismo fica por conta dos torcedores já que as diretorias e atletas dos clubes se respeitam e sabem da dificuldade dentro de quadra em vencer um ao outro.

A outra vaga que definirá com antecedência um dos outros semifinalistas será disputada por Charlie Brow/Paysandu e 100 Nome de Poá. A partida está marcada para às 14h00.


Nos demais jogos da rodada quatro equipes lutam pela sobrevivência no campeonato em virtude da derrota na estreia da segunda fase. Às 13h00 o Vem Que Vem jogará contra o Makaku's e às 15h00, o Astro enfrentará o Ousados/Ponto de Encontro.

A Copa 1º de Maio é uma das mais tradicionais do futsal extra oficial e voltou a ser realizada este ano pelos antigos organizadores Ketto e Cassio. A grande final ocorrerá no dia 1º de Maio fazendo parte das festividades do bairro do Ermelino Matarazzo.


http://futsalsp.blogspot.com.br/2014/04/classico-do-extra-oficial-agita-copa-1.html

INSCRIÇÕES ABERTAS : AULA DE VIOLÃO, CAVACO E TEORIA

Começa Hoje(08) inscrições 2014 " Aulas de violão, cavaco e teoria" PROJETO SOCIAL MUSICANDO COM SERGINHO MADUREIRA .



FEIJOADA BENEFICENTE - DIA 22/03/2014

" SENSACIONAL FEIJOADA BENEFICENTE PARA ANGARIAR FUNDOS PARA NOSSA NOVA SEDE NO SÁBADO DIA 22/03/14"

ÀS 16hs   COMEÇA  O   SAMBA  DA  MELHOR QUALIDADE.

ROLEZÃO de 460km com RODOLFO LUCENA(Folha de São Paulo)




Rodolfo Lucena

+ corrida


PerfilRodolfo Lucena é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha
PERFIL COMPLETO

Jardim Verônia EC ajuda a manter vivo o futebol de várzea

POR RLUCENA
20/12/13  16:07
selo_rodolfo_correndoCampeão da Copa Negritude 2009, bicampeão do setor leste da Copa Seme de futebol de várzea, o Jardim Verônia Esporte Clube é um dos tradicionais clubes da periferia, nascido em campinho de barro, em terreno baldio, e parceiro nas lutas da comunidade onde cresceu. Por isso, ganha o carinho dos moradores do território onde nasceu, um pequeno enclave em Ermelino Matarazzo, na zona leste.
Examinando o local à distância, analisando a imagem de uma foto aérea, o Jardim Verônia de onde o time tirou o nome não passa de três ruas que sobem o morro a partir da avenida que margeia a linha da estrada de ferro. Basta andar por lá, porém, para aos poucos descortinar os meandros de ruas que  se cruzam, vielas e becos por onde, volta e meia, o visitante encontra alguém vestindo a camiseta vermelha e branca com o escudo do time.
“O Verônia foi fundado em 1962, já são mais de 50 anos de história”, aponta o ex-metalúrgico Vânio Marques dos Santos, 43, diretor social do clube, que me recebeu hoje de manhã para uma visita pela comunidade, mais um momento de minha trajetória de 460 km por São Paulo para homenagear o próximo aniversário da cidade.
1 trofeus
Apesar de rodeado por alguns dos troféus conquistados pelo clube ao longo dessas décadas, Vânio não procura fazer um discurso laudatório. Conta que o clube cresceu com o bairro –há 50 anos, ali era quase tudo mato, um morro só, terrenos de propriedade duvidosa, lotes pertencentes a massas falidas de empresas, uma confusão.
Os primeiros moradores trataram de deixar sua marca e começaram a fazer suas reivindicações, mesmo no período da ditadura militar. Assim, foram conseguindo água, luz, uma escola, posto de saúde, asfalto para boa parte das ruas…
1 campo melhor
O time, por sua vez, nasceu na mesa de bar, onde se reuniam os amigos para tomar uma, trocar ideias e se preparar para a pelada domingueira. A disputa era em campo de areão, que virava um barral só à primeira chuva, como alguns dos campinhos por onde passamos em nossa caminhada na manhã de hoje.
Apesar do desconforto das instalações, o Verônia atraía a comunidade, como mostra foto resgatada por Vânio (abaixo).
2 foto historica do campo
Formado em história, o dirigente do clube vem fazendo já há algum tempo trabalho de recuperação da trajetória do time e do bairro, digitalizando imagens históricas e mesmo páginas de jornais que, décadas atrás, acompanhavam o desenrolar das batalhas do futebol varzeano.
Em alguns casos, lembra Vânio, as batalhas não eram em sentido figurado. Aliás, foi por causa da “indisciplina” dos atletas, afirma ele, que acabou a Copa Primeiro de Maio, uma das mais tradicionais competições promovidas pelo Verônia. O campeonato começava em janeiro; no Dia do Trabalho acontecia a final, depois das comemorações e passeatas pela região central de Ermelino Matarazzo (hoje, o largo Primeiro de Maio, abaixo).
1 centro de ermelino
Nos últimos tempos, a rivalidade saudável com o XI Garotos, O jardim Belém, o Irmãos Coragem, o Ermelinense e o Buturussu vinha se transformando em choques físicos mais contundentes, e a turma achou melhor deixar para lá. Há muitos outros campeonatos disputar, e o Verônia não só diz presente como recepciona adversários no campo principal do bairro, hoje equipado até com grama sintética, como mostra Vânio (abaixo).
1 vanio
Ressalta, porém, que tudo isso não saiu de graça, mas sim das lutas dos moradores (Clique AQUI para assistir a um VíDEO que fiz com ele) . Vânio aprendeu o exercício das campanhas comunitárias nas greves metalúrgicas dos anos 1980; mais tarde, desempregado, associou-se a companheiros do bairro para tentar melhorar de vida.
Criaram cursinhos pré-vestibulares que funcionavam aos domingos para atender o pessoal do Jardim Verônia e de bairros próximos. “A periferia na academia” era o lema do grupo, e logo surgiram, em outras regiões, iniciativas semelhantes. “Foi assim que consegui fazer faculdade”, diz ele, afirmando que as aulas da rede de cursinho renderam bons frutos, com mais de cem estudantes da área conseguindo passar no vestibular.
1 bar sede izildo
Por causa de sua ação na comunidade, acabou convidado para o clube, apesar de não jogar futebol. E tratou de ajudar a turma a se mobilizar para conseguir uma sede  para o clube (até então, os encontros era no bar-sede, ainda hoje comandado por Izildo de Oliveira, 59, foto cima). “Sou meio gramsciano, um intelectual orgânico”, diz ele, referindo-se ao pensador italiano comunista Antonio Gramsci.
O Verônia, por sua vez, parece estar organicamente ligado às lutas do bairro. Passamos pela casa de um veterano líder comunitário, Octaciano Anselmo, 76, que ainda hoje trata de manter algum tipo de militância –participa de reuniões com ex-presos políticos e é sempre ouvido nas questões do bairro.
1 octaviano
A principal, segundo me diz a presidenta da Associação dos Moradores da Vila Piraquara, Márcia Pereira, é a legalização da propriedade das casas. “Pobre gosta de documento”, afirma ela. “A gente quer tudo certinho. Quanto mais pobre, mais certo quer.”
O bairro está totalmente implantado, explica, mas praticamente ninguém tem documentação de propriedade dos lugares onde mora. Há algumas ruas abertas pelo poder público, mas há também vielas, becos, escadões, vias típicas de comunidades da periferia, que vão se organizando à medida que chegam novos moradores.
Isso vai melhorar, garante: “Nós somos um bairro pobre, mas mobilizado. Aqui o pessoal corre atrás mesmo”.
1 viela
É o que também vai contando Vânio ao longo de nosso percurso. E lembra que a turma não quer só casa e comida, quer também diversão. O próprio Jardim Verônia Esporte Clube abre seus tentáculos para além dos campos de futebol e das campanhas comunitárias: chega até o Carnaval.
O clube tem uma ala na escola de samba Leandro de Itaquera. E apoia com ardor, samba no pé e som no gogó o bloco Pé Vermelho, nascido a partir da bateria do clube. O nome no bloco não veio apenas das cores do time, mas da história da região.
“Há muitos anos, não tinha estação de trem aqui perto. Os trabalhadores iam caminhando até a Luz, pelo caminho de terra. Seguiam descalços, para não sujar os sapatos. Quando chegavam ao centro, lavavam os pés, que estavam vermelhos de barro, e seguiam para o trabalho”, conta Vânio.
Não por acaso, as música do bloco, que chega a mobilizar 500 pessoas em desfile pelas ruas do Jardim Verônia, falam da vida ali na comunidade e têm um ar de alegre protesto.
Composto por Pé de Meia, Babá, Tufão e Rodrigo Silva, o samba-enredo de 2014 é “Praça Onze Meu Amor”, homenageando uma praça que fica bem no topete do morro onde está encravado o Jardim Verônia.
Depois de chamar o povo para a praça, o samba conclama: “Vem comunidade e vamos revolucionar; a hora é essa, nosso bloco vai passar”.
Que assim seja. Vamo que vamo!
DIA 18  PROJETO 460 KM POR SÃO PAULO
Clique no mapa para conhecer mais detalhes sobre o percurso do dia
mapa dia 19 20dez2013
QUILOMETRAGEM DO DIA: 10 km
TEMPO DO DIA: 2h36in08
QUILOMETRAGEM ACUMULADA: 245 km
TEMPO ACUMULADO: 52h52min58
QUILOMETRAGEM A CUMPRIR: 215 km
DESTAQUES DO PERCURSO: Jardim Verônia, sede social e bar-sede do Jardim Verônia Esporte Clube, Jardim Piraquara, estação Ermelino Matarazz

PAPO DE VARZEA

Torcida briga, motorista do busão foge e varzeanos andam 30km. Será?

Papo de Várzea
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Final de campeonato no futebol de várzea é mais ou menos assim: dois times fortes que se preparam para um verdadeiro duelo dentro de campo, mas fora das quatro linhas, são dois bairros que querem fazer mais bonito na festa. O resultado disso costuma ser um jogo pegado, de clima quente para todos os lados.
Foi assim numa épica decisão em 1990, da Copa Seme, famosa competição municipal organizada em São Paulo e realizada nada menos do que no estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. De um lado, veio o pessoal do Drogalume, time de Guarulhos. Do outro, o Jardim Verônia, time de Ermelino Matarazzo, zona leste – que, aliás, completa 51 anos de futebol de várzea neste dia 26 de novembro.
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Um dos diretores do Jardim Verônia é o projetista Ronaldo Costa, de 33 anos. Ele esteve nessa partida. “Lembro como se fosse ontem. Fomos em cinco ônibus, atravessamos a cidade para essa final”, conta.
Durante a partida, o clima esquentava cada vez mais. “O Verônia estava perdendo e a torcida dos caras começou a zoar. A nossa bateria foi pra cima da torcida dos caras, jogando os surdos, as caixas, enfim… o pau comeu!”.
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Não bastasse a derrota em campo, a perda de título e o descontrole da torcida, o pessoal do Verônia ainda teve de ver os motoristas dos cinco ônibus fugirem. O motivo? Medo da confusão… Foram embora com os ônibus, para o desespero dos jogadores, diretores e torcedores. E agora? Como voltar do Pacaembu até Ermelino Matarazzo, ao longo de cerca de 30 quilômetros, para chegar em casa?
“Nosso presidente enquadrou uma carreta e um ônibus na Marginal do Tietê e fez os motoristas levarem muita gente de volta”, garantiu Ronaldo. Mesmo assim, lembra o diretor, muita gente se virou como conseguiu. Alguns pegaram taxis e não pagaram. E ainda há quem diga que teve gente que voltou a pé. Será?
Por Diego Viñas
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